terça-feira, 14 de julho de 2015

O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar

     Deste modo ou daquele modo.
     Conforme calha ou não calha.
     Podendo às vezes dizer o que penso,
     E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
     Vou escrevendo os meus versos sem querer,
     Como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos,
     Como se escrever fosse uma cousa que me acontecesse
     Como dar-me o sol de fora.   
Procuro dizer o que sinto
     Sem pensar em que o sinto.
     Procuro encostar as palavras à idéia
     E não precisar dum corredor
     Do pensamento para as palavras
     Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
     O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
     Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.
     Procuro despir-me do que aprendi,
     Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
     E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
     Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
     Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
     Mas um animal humano que a Natureza produziu.
     E assim escrevo, querendo sentir a Natureza, nem sequer como um homem,
     Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.
     E assim escrevo, ora bem ora mal,
     Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
     Caindo aqui, levantando-me acolá,
     Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.
     Ainda assim, sou alguém.
     Sou o Descobridor da Natureza.
     Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
     Trago ao Universo um novo Universo
     Porque trago ao Universo ele-próprio.
     Isto sinto e isto escrevo
     Perfeitamente sabedor e sem que não veja
     Que são cinco horas do amanhecer
     E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
     Por cima do muro do horizonte,
     Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
     Agarrando o cimo do muro
     Do horizonte cheio de montes baixos.

Deste modo ou daquele modo - Alberto Caeiro

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sano Per Acqua

Um fim de semana com sabor a férias passado no sítio do costume <3






O 1º banho de mar do ano. E que bem que soube ... os romanos já o sabiam quando criaram o conceito Sano Per Acqua ( SPA) que quer dizer cura pela água; basta um banho de mar, simples, puro, revigorante, com apenas 1 estrela mas que vale por mil, que nos aquece o corpo e a alma.
Estes dois elementos combinados, a água e o calor do sol, fazem magia!



Soube tão mas tão bem ... mas por outro lado, depois de ter saboreado este aperitivo estival, lembrei-me que ainda faltam 39 longos e penosos dias de trabalho antes das tão desejadas férias ...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Eureka!!

Acho que descobri a solução para o meu gato deixar de escarafunchar a terra dos meus vasos!!!!!
Já aqui tinha mencionado que andava muito triste porque ele andava a destruir todas as plantas que tinha no terraço; tirava a terra toda, desenterrava os bolbos e arrancava as suculentas. Experimentei pôr um saco de plástico no pote das suculentas, até estas ganharem mais raízes, ele rasgou-o todo; experimentei pôr canela, porque li que era um repelente natural, não resultou ... portanto tinha os vasos tapados com grelhas e azulejos, tudo muito bonito portanto -_-
Até que me lembrei de fazer uma espécie de gola em cartão para pôr na base da planta e desta forma evitar que a terra fique à mostra!
Até agora tem resultado; ainda não mexeu num único vaso desde que coloquei as "golas" !!




Acho que vou concorrer ao programa " Tanque dos Tubarões" ;)

sábado, 13 de junho de 2015

Por aqui

Foi uma semana de festas e celebrações.


A minha filha mais velha terminou o 1º ciclo. Foi uma festa cheia de risos e lágrimas; termina aqui uma etapa da vida dela onde, apesar da crescente exigência, houve espaço e tempo para brincar. 
Onde ainda usufruiu da companhia de amigos que a acompanham desde o infantário e onde teve a sorte de ter uma professora excepcional a todos os níveis, pessoal e profissional.
Espero que na próxima etapa tenha a sorte de encontrar profissionais assim tão dedicados.

Também foi a festa da pequenita que, debaixo de um sol abrasador, dançou com os coleguinhas as marchas populares.



Fui ainda com os meus meninos ao Pavilhão do Conhecimento, um espaço onde gosto de regressar sempre que posso, pois além da Casa Inacabada tem sempre exposições e ateliers muito divertidos.



Por aqui celebram-se os Santos Populares na praceta mesmo em frente; há sardinha assada ( como não poderia deixar de ser) bailarico, barraquinhas e farturas!



Houve ainda tempo para experimentarmos a receita dos cupcakes de banana e chocolate do livro Confeitaria Hummingbird. Até agora as receitas que tenho experimentado têm saído sempre bem! Fáceis e deliciosas! 

Como só tinha forminhas pequeninas fiz uns mini cupcakes ( deu para 24)

Aqui fica a receita :

Cupcakes de banana e chocolate 

Ingredientes para o cupcake ( dá para 12  nas formas normais)

- 120g de farinha sem fermento
- 140g de açucar em pó ( usei mascavado)
- 1 colher de sopa de fermento ( a farinha que usei já tinha)
- 1 colher de chá de canela
- 1 colher de chá de gengibre em pó
- uma pitada de sal
- 80g. de manteiga sem sal à temperatura ambiente
- 120 ml de leite meio gordo
- 2 ovos
- 120g. de banana descascada ( só tinha uma e foi o que usei)

Pré aquecer o forno a 170º

Juntar a farinha, o açucar, a canela, o gengibre, o sal e a manteiga numa batedeira ( ou uma batedeira manual) e bater tudo numa velocidade baixa até os ingredientes estarem misturados e com uma consistência arenosa.
Juntar lentamente o leite e bater bem até os ingredientes estarem misturados.
Juntar os ovos e bater bem.
Adicionar a banana esmagada e mexer à mão até a massa estar homogénea.
Encher dois terços das forminhas e levá-las ao forno durante 20 m. ou até o palito sair limpo.
Deixar arrefecer e colocar a cobertura de chocolate.

Ingredientes para a cobertura de chocolate :

- 300g. de açucar de confeiteiro peneirado ( usei mascavado)
- 100g. de manteiga sem sal à temperatura ambiente
- 40g de cacau em pó
- 40ml de leite gordo

Bater a uma velocidade média os ingredientes sólidos.
Juntar lentamente o leite à mistura a uma velocidade mais baixa.
Quando o leite estiver incorporado bater durante 5m. a uma velocidade alta o preparado; quanto mais tempo batermos mais fofa fica.

Divirtam-se nos Santos!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Conexão

Somos um constante work in progress ... somos tão permeáveis ao que nos rodeia que estamos em contínua metamorfose.
Nos últimos 10 anos muita coisa mudou em mim, poderia até dizer que me transformei noutra pessoa. Embora assim à superfície continue a ser a mesma sinto e sei que muita coisa mudou dentro de mim.
Para começar, há 10 anos atrás, fui mãe; este acontecimento vira a nossa vida do avesso, transforma-nos e muda muito a maneira como vemos as coisas.
Nos últimos 10 anos a forma como a informação chega até nós mudou drasticamente, quer queiramos quer não estamos sujeitos a um constante e permanente fluxo de informação.
Aprendemos a separar o trigo do joio de acordo com a nossa personalidade e os nossos interesses; lemos mais; reflectimos sobre o que vamos lendo e ouvindo e cá dentro vão-se reorganizando as "gavetas".
Portanto a mudança é inevitável .


A minha vida e o meu dia a dia, pelo facto de ser mãe e educadora de infância, está intrinsecamente ligado às crianças; cada vez mais me dou conta da enorme responsabilidade que é ser mãe e educadora; chega a ser esmagador.
Cada vez me questiono mais sobre a forma como as estou a educar; estarei suficientemente presente; estarei a dar-lhes a liberdade e o espaço de que precisam para se encontrarem, para saberem quem são e o que querem; saberei eu ouvi-las e respeitá-las ou estarei a ser demasiado ditadora, impondo aquilo que eu acho que é o mais correcto só porque sou mãe? Estas e outras dúvidas também me assaltam enquanto educadora.


Na escola, assim como nos infantários, onde eu me incluo, estaremos nós a fazer um bom trabalho?
Não, estamos mesmo muito longe disso. Está tudo mal.
Aperceber-me disso tem-me trazido uma grande tristeza, uma grande sensação de impotência. Sinto-me à deriva e não sei para que lado devo remar.

Outro dia li este post sobre conexão, gostei muito de ler este parágrafo em particular :

"Como diz a Naomi Aldort no seu livro "Taking the struggle out of parenting", em muitas situações do dia a dia é mesmo preciso percebermos que o problema está em nós e naquilo que trazemos connosco ao longo da nossa experiência de vida. Aquilo que estamos a sentir em determinado momento, muitas vezes sentimentos negativos em relação à criança, nada têm a ver com ela, mas sim connosco e com o que estamos a sentir. Precisamos distanciar-nos dos nossos sentimentos, sairmos da nossa cabeça e sentirmos a criança e a sua necessidade e ao fazermos isso estamos a criar conexão com ela. Ao ouvi-la, ao percebermos a sua necessidade, ao respondermos a essa mesma necessidade com amor, com compaixão, estamos a amá-la incondicionalmente, a apoiá-la e a criar uma relação poderosa, afectuosa e baseada em amor."



Parece simples não é? Mas é tão difícil, porque nos geral somos seres muito egocêntricos e com a mania de sermos " donos da verdade". Acredito que muitas questões que provocam tensão entre pais e filhos e no fundo entre  todos nós tem a ver com o facto de estarmos desconectados.





sexta-feira, 5 de junho de 2015

Abrandar

Às vezes, na correria dos dias, entre os preparativos para o encerramento do ano lectivo e as mil e uma solicitações das escolas de cada uma das filhas, é difícil parar, recuperar o fôlego, respirar profunda e pausadamente, abstraírmos-nos  do ruído que há em volta até este ser um murmúrio de fundo e ligarmo-nos ao que é essencial, ao que nos alimenta a alma e pacifica o espírito.






E chegar a casa e ler o que alguém,  do outro lado do mundo, escreveu:


"Today I'm reminding myself to live intentionally.  To really pause and take notice and revel in the everyday.  Some weeks I find myself getting to Friday and feel like I'm flying a little on auto pilot.. As I boiled the kettle for the third time this morning, I stopped and noticed magpie calling from the roof top, I listened to the clink of the spoon in my mug and watched in delight as my sweet little cheeky toddler twirled merrily in front of me.  I settled for that moment in the bliss of the day, and realised that it takes a constant reminder, a gentle touch of the soul, to live with this sense of presence and place. "

Bom fim de semana!

domingo, 31 de maio de 2015

Se

"Se o amor fosse o dos livros, acreditavas? Se o segredo desvendado fosse tudo o que era preciso, agarravas? Se não houvesse mágoa, rancor, se fossemos só de força e verdade, de respeito, certeza, bondade, pousavas a mão? Se os lugares bons das historias fossem tudo o que ficava do caminho, se o principio inocente e desprendido fosse eterno, todos os dias, de manhã, o primeiro lugar onde se acorda, de corpo perto, olhavas de frente? Se o mundo a gritar fosse mudo, e nós surdos também, confiavas? Sei de um sitio em segredo onde as historias começam. Longe da desilusão há lugares que nos guardam. Longe do medo há lugares onde nos guardamos, onde nos temos no nosso melhor, fotografados, como nos filmes. Se o amor fosse um sitio, um lugar, um quarto que sabiamos onde era, ias até lá? Se fosse um objecto pequeno, que coubesse na mão, uma pedra, um anel, uma semente, um livro antigo, uma carta? Se o amor fosse uma paisagem, um mar, um caminho, uma viagem, chegavas até ao fim? Se o fim não existisse, acreditavas? Se o amor fosse sempre uma pagina em branco, uma frase que se espreita, num livro, o silêncio da descoberta e um sorriso de chegada, olhavas para dentro? Se o amor fosse um beijo parado no tempo, um toque, uma canção, o passeio de um dedo num ombro nu, um sopro, uma dança, a parte quente dos corpos abraçados, a explosão… Se o amor nos falasse baixinho, como um amigo fiel, nos indicasse a direcção, nos acolhece, nos abrisse os olhos, querias ouvir? Se o amor nos amasse, e fosse real. Se o amor fossemos nós também e eramos grandes e infinitos, mas humanos, mas fracos, mas feitos de perdão… Aceitavas? Sei de um sitio puro, limpo, honesto e tão leve que quase não existe no mundo. Sei de um sitio, em segredo, onde as historias começam, e são eternas."



Texto de sala - Tiago Bettencourt